Modelos masculinos

Quem foram os os homens que tiveram um impacto na sua forma de ser e de estar?

Ao longo da nossa vida, a presença de homens significativos marcaram a nossa educação, a nossa vivência em sociedade e na igreja: pais, professores, irmãos, tios, avôs, líderes, pastores, amigos, todos eles contribuíram, directa ou indirectamente.

Até há cerca de 50 anos atrás, o homem era uma presença constante na educação do indivíduo: no lar, na igreja e no mundo secular. Com o crescente papel activo da mulher na vida em sociedade, em todas as suas esferas, os meios educativos tornaram-se maioritariamente femininos. Quem cuida das crianças nas creches? Quem ensina nas escolas primárias? Quem ensina no 2ºe no 3º ciclo? Quem ensina as crianças e os adolescentes nas nossas igrejas? Na sua maioria, são as mulheres (abençoadas sejam pelo trabalho que têm realizado!).

Com o crescente número de divórcios e a ausência da presença masculina na vida de muitos meninos e rapazes, estes vivem num mundo essencialmente feminino: na creche, na escola, na igreja. Qual tem sido o resultado? Crianças e jovens que não sabem lidar com a frustração; confusões na identidade de género; relacionamentos errados com o sexo oposto e com o mesmo sexo; maior exposição a modelos irrealistas (celebridades, jogadores de futebol, etc.); modelos de referência negativos oferecidos pelo mundo (bandidos, alcoólicos, toxicodependentes, rebeldes, desobedientes, imorais, amorais).

No desenvolvimento da criança, os modelos masculinos (os pais ou outros homens significativos como o avô, o tio, o professor) são fundamentais para o desenvolvimento da personalidade, para o processo de socialização e para a tipificação dos papéis sexuais (processo em que as crianças assumem as características sociais e culturais do seu género).
Relativamente ao desenvolvimento da personalidade, sabemos que os meninos que provêm de lares com pai ausente apresentam mais problemas de comportamento, especialmente com a agressividade. Já as meninas, sobretudo na adolescência, provenientes de lares com ausência de modelo masculino, apresentam problemas em interacções sociais com o sexo masculino: mais namoradoras, sexualmente precoces e com tendência a casar mais cedo. Os efeitos da ausência do pai na vida das crianças podem ser minimizados com a presença de outros modelos masculinos significativos. Crianças com fortes modelos masculinos apresentam uma auto-estima mais saudável, segurança e equilíbrio emocional.

O papel do homem é também fundamental no processo de socialização: é a presença do pai, no segundo ano de vida, que estimula a criança a explorar o mundo que a rodeia e assim desenvolver a noção do eu (processo de individuação). É o pai que apresenta o mundo externo e introduz as leis e as regras que preparam a criança para a vida em sociedade. As mães são mais protectoras e estimulam a afectividade. Já os pais, mais físicos nas suas brincadeiras e mais activos, dão a segurança que a criança necessita para explorar o mundo. Na fase da escolarização, quando as crianças desenvolvem autonomia, independência e prática das regras socais, os professores adquirem um papel fundamental no processo de identificação social. Os homens, enquanto modelos de comportamentos e atitudes sociais ajudam a estabelecer os limites no comportamento da criança. Crianças que não têm bons modelos sociais nesta fase, tendem a ser mais desobedientes, autoritárias e inseguras.

Relativamente à tipificação dos papéis sexuais: no processo de uma pessoa assumir a sua identidade do papel sexual, a presença do progenitor do mesmo sexo é fundamental. Entre os 3 e os 6 anos de idade, as crianças precisam identificar-se com o progenitor do mesmo sexo para construir a sua identidade de género. É fundamental para os meninos ter um modelo masculino que os ensine a comportar-se como meninos. Através da imitação, observando e modelando, os meninos vão comportar-se como os seus modelos masculinos e formam assim os estereótipos associados ao género (masculinidade ou feminilidade). Para além de servir como modelo masculino para os meninos permite, igualmente, que as meninas conheçam e compreendam o universo masculino, acentuando a sua feminilidade.

As crianças aprendem imitando os seus modelos de referência! Os professores, depois dos pais, detêm este papel poderoso de servir como modelo de referência para os seus alunos. São inúmeros os casos de alunos que seguem o exemplo dos seus professores: a sua forma de vestir, a profissão, as ideologias, as atitudes...
Espiritualmente falando, Deus deu ao homem a responsabilidade de ser um padrão, um modelo, um líder para os seus filhos, esposa, igreja e sociedade. Já Paulo dizia: "Sede meus imitadores, como também eu de Cristo" (I Coríntios 11:1) e também "Sê um exemplo..." (I Timóteo 4:12).
Infelizmente, muitos homens têm-se ausentado destas responsabilidades ou são maus modelos. Verificamos, hoje em dia, que as crianças e os jovens estão a crescer num mundo sem padrões, sem modelos, onde os valores são contrários aos valores bíblicos e até à própria natureza humana. A permissividade tem atingido todas as esferas da nossa sociedade e constata-se ausência de modelos masculinos positivos. Quem não tem um modelo masculino positivo ao longo da sua infância e da sua adolescência, dificilmente aceitará Deus no seu papel de Pai.

Queridos pais, professores, avôs, tios, irmãos: que diferença têm feito na vida das crianças e dos jovens que Deus tem colocado no vosso caminho? Que tipo de modelo têm sido? As nossas crianças e os nossos jovens necessitam urgentemente de vós!

Iolanda Melo
Psicóloga
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